Segundo Seminário de Tecnologia Nautica Rio de Janeiro 2018

No último dia de programação do Segundo Seminário de Tecnologia Náutica, participaram mais de dez palestrantes, divididos em três painéis e uma mesa redonda.

No quarto painel do evento, que tratou de motores e sistemas eletrônicos em embarcações de pequeno porte, dividiram o palco duas empresas, a Orange Composites, de Thomaz Benatti, e a Fuse Sistemas, de Leandro Freire. Numa apresentação sobre manutenção de embarcações, Thomaz abordou os aspectos da manutenção do casco de embarcações, sobretudo as de fibra de longa idade, enquanto Leandro mostrou como a normatização é importante para conduzir serviços de manutenção elétrica a bordo. Ambas as empresas recém-chegadas ao mercado mostraram que a manutenção é uma realidade e que deve ser desenvolvida a sério para garantir a segurança a bordo.

A palestra do patrocinador prata SOTREQ, representante dos motores Caterpillar no Brasil, contou com a apresentação do Sr. Eduardo Magno que mostrou aspectos importantes da seleção correta de motores para embarcações de pequeno porte. Focando nas propriedades de motores Caterpillar representados no Brasil, Magno mostrou como a seleção pode impactar na eficiência e na determinação da vida útil de cada motor, chamando atenção para o objetivo de cada máquina e seu range de operação.

Após o intervalo do almoço, subiu ao palco o experiente velejador baiano Aleixo Belov para abrir o quinto painel do evento. Belov mostrou um pouco de suas viagens mais recentes e comentou sobre um vídeo que documenta a construção de seu último barco, o veleiro-escola “Fraternidade”, projetado e construído pelo próprio Belov na sede de sua empresa, em Salvador. Com uma importante inovação no sistema de rebatimento de quilha para um barco desse porte, Belov chamou a atenção dos técnicos e engenheiros presentes para os benefícios dessa instalação para suas viagens e encantou os cruseiristas presentes com sua narrativa. Belov deixou o evento distribuindo entre os participantes presentes seus mais recentes livros editados.

No painel de Materiais e Métodos de Construção, subiu ao palco o professor da COPPE UFRJ e engenheiro naval Alexandre Alho que falou da inovação que representa o uso do PEAD – Polietileno de Alta Densidade para a construção de embarcações de serviço. Alho mostrou características desse versátil material, gerando muita curiosidade no público que participou ativamente fazendo muitas perguntas ao engenheiro naval ao longo da palestra.  O palestrante mostrou ainda as diferentes formas e os limites alcançados por esse material e quais são as perspectivas de avanços nas pesquisas que usam esse tema, apontando um caminho de discussão para o próprio Comitê da SOBENA em 2019.

Jorge Nasseh, CEO da Barracuda Advanced Composites, fechou o painel, apresentando os primeiros resultados de uma de suas pesquisas inéditas em materiais e métodos de construção. Abordando os limites de acelerações em uma lancha tipo, Nasseh parametrizou valores mensuráveis e propôs uma nova perspectiva para a aplicação das conhecidas regras estruturais que lidam com essas variáveis de forma a reduzir o uso de material a bordo sem que isso comprometa a expectativa principal para a qual a embarcação foi projetada. Baseado nesse novo entendimento das solicitações sobre as embarcações, ele coloca uma luz sobre o assunto, que será desenvolvido e apresentado por ele em novas oportunidades.

No sexto painel do evento, o professor da UFSC e engenheiro civil Ricardo Aurélio proferiu uma palestra sobre os processos e controles de estaleiros de pequeno porte. Aproximando o assunto do público, o professor explorou exemplos para chamar a atenção das melhores práticas disponíveis para os estaleiros. Cobrindo itens de um planejamento para alcançar a precisão na fabricação de embarcações de compósitos, Ricardo Aurélio mostrou a importância de cada um dos requisitos que poderiam ser aproveitados por toda a indústria.

Logo após o professor Ricardo Aurélio, subiu ao palco o engenheiro naval e CEO do BRANA Luiz Felipe Guaycuru, que propôs um novo olhar sobre a madeira como material sofisticado para construção de embarcações. Sem abandonar os populares materiais compósitos ou alterar profundamente os processos de um estaleiro de compósitos, o palestrante mostrou como algumas embarcações de um estaleiro poderiam ganhar em valor agregado ao usar a madeira como material para construção, orientando o projeto para tal mudança.

Finalizando a programação, o engenheiro Paulo Moraya, moderador nesse último painel, chamou ao palco os engenheiros navais Mucio Scevola, Luz Alberto de Mattos e Fernando Boccolini, para dar continuidade ao assunto de madeiras, mas sob o foco dado desta vez às embarcações de transporte e serviço da região amazônica. Abordando incialmente os aspectos estruturais através das regras para embarcações de madeira da RBNA, os engenheiros Luiz de Mattos e Boccolini teceram uma narrativa que procurou mostrar como essas embarcações podem se beneficiar de uma normatização que contemple aspectos específicos da madeira, já o engenheiro Mucio Scevola abordou os aspectos relativos à estabilidade dessas embarcações à luz da legislação vigente e das mudanças que seriam eficazes na garantia da segurança e integridade das embarcações de pequeno e médio porte.

Ao fim dos dois dias de apresentações o evento mostrou que não apenas aumentou em tamanho, mas também em qualidade e em interesse dos participantes. Reunindo palestrantes de todo o Brasil e reunindo mais de 120 ouvintes, esta segunda edição pôde estar mais próximo do público alvo, tendo sido realizado dentro de um dos clubes com maior tradição de náutica no país, o Iate clube do Rio de Janeiro, e, a depender dos organizadores – que inclui o próprio BRANA, pode-se esperar uma terceira edição em 2019 com muitas novidades no programa, que deve ser ainda mais ampliado e trabalhado para se fortalecer como evento de referência para o setor.

Confira aqui como foi o primeiro dia de evento.

Sobre o Autor  


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 Luiz Carvalho

É Engenheiro Naval formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Com larga experiência como velejador, já correu regatas nas classes Laser, Snipe e finalmente como tripulante na ORC, participando de importantes eventos, como a Regata Internacional Santos – Rio. É um apaixonado por barcos e acredita que reside um grande potencial a ser explorado no povo brasileiro, através de políticas voltadas para a imensa costa atlântica e os milhares de quilômetros de rios navegáveis de que o país dispõe.

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